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:: Sábado, Fevereiro 28, 2004 ::
Sabem, esta semana que passou eu fui agraciado pelo prefeito com uma estátua de bronze. Sim, ela tem a minha cara, e foi colocada ao lado da estátua do Barão do Rio Branco na Praça Generoso Marques. E minha imagem só ficou do lado do Barão por imposição minha, porque senão ele (prefeito) teria mandado me (estátua) colocar lá no lugar do outro, depois de ter arrancado o nosso homem nobre de seu pedestal para fazer quem sabe, mais tarde, umas arandelas, penicos ou sei lá o que mais. Agora você deve estar se perguntando, e não vai demorar muito para você perguntar pra mim também, "mas, porquê?" Porque faz algum tempo que venho ligando para a prefeitura reclamando do descaso com o antigo prédio da praça (já mencionada) que funcionou por algumas décadas o Museu Paranaense. Essa construção magnífica datada de 1916 que já chegou a abrigar a própria prefeitura, é uma construção tombada como patrimônio histórico por um órgão aí que não me lembro bem qual é. E hoje se encontra em estado lastimável, correndo o risco até de tombar mesmo. Agora o melhor está por vir, a nossa cidade, a dita "Capital Cultural", ou "Capital Social", ou ainda "Capital Ecológica" obrigou o Estado a evacuar o recinto (museu - pertencente ao município), ou seja, não quis ficar com as peças porque, ouvi dizer, são patrimônios do Estado, e o governo municipal e o estadual não se entendem muito bem, ou pelo menos as pessoas que lá atuam. Então um lado recebeu a intimação do outro lado para sacar as obras do prédio antes que desse algum tipo de arranca-rabo entre as partes. Coisa que, aliás, é fácil fácil de acontecer. Até aí ninguém ficou entendendo por que a reforma do lugar não aconteceu. Bom, deixe-me continuar. Depois de tanto eu reclamar o nosso representante municipal enviou uma carta lá pra casa explicando que encontraria uma solução apreciável para o caso, pois atualmente a prefeitura encontra-se SEM VERBAS para fazer reformas desse tipo. Ora! Faça-me um favor, que desculpa sem cabimento. Para as campanhas a prefeitura tem dinheiro. Para fazer um bom asfalto em ruas pouco usadas que terminam em lugar nenhum nas favelas também tem dinheiro. Agora para preservar um patrimônio como este não tem. Indignado, pensei então em uma fórmula para chamar a atenção de todos para a situação. No outro dia disse ao nosso representante que iria escrever para alguns jornais como: The Guardian, Le Monde, Waschington Post, e até para o Clarín sobre o ocorrido. Depois disse ele ligou para mim dizendo: "Faço qualquer coisa, mas o Clarín não!". Por fim, mais tarde ele acabou me convencendo que a estátua, a festança com bandinha e todas essas besteiras sairia mais barato que fazer uma reforma em um prédio desse tamanho. Vencido pela massagem no ego eu disse: "Tudo bem, mas peço para que não contratem aquelas velhas prostitutas da praça para dançarem em coreografias na inauguração da minha estátua. Isto é feio demais!". Então no dia marcado para tal evento estávamos lá, todos vestidos de branco, inclusive o grupo do coral e o pessoal da Sinfônica do Teatro Guaira. Estava uma beleza. Após o discurso do prefeito e seu de seu respectivo vice (já tentando angariar os possíveis votos) deu-se o sinal para os músicos tocarem o tema feito especialmente para a ocasião, mas não antes do show pirotécnico com muitos fogos de artifícios que durou exatamente trinta e cinco minutos. Pena que isso aconteceu pela manhã, pouca coisa deu para se ver. Após essa barulheira toda começou a música. Mas aí as pessoas reagiram com indiferença, ninguém escutava nada mesmo. Prosseguindo. A sinfônica tocando, o coral cantando, veio a vez da revoada de pombos. Maravilhoso de se ver. A cada rasante das aves uma enorme quantidade de pessoas recebia seus excrementos, logicamente elas ficaram um tanto quanto traumatizadas de tantos fogos. Não tiro a razão dessas aves (se é que elas têm alguma). Afinal de contas, o susto foi grande. Olha, posso dizer que estava tudo muito bonito, todos os que estavam vestidos de branco (a maioria) ficaram com um certo excremento no visual, ou seja, todo mundo ficou excrementado, inclusive o prefeito. O grande evento realmente foi grande, começou às oito horas da manhã e só terminou sete da noite com o começo do programa "A Hora do Brasil". Mas isso ocorreu pelo fato de o som ambiente ser oferecido por um radialista bonzinho, que mandou instalar auto-falantes pela praça toda. Claro que a programação da rádio é que tocou durante todo esse período. Não quero dizer nada, mas provavelmente este radialista irá se candidatar para vereador, pela milionésima vez, e certamente vai ganhar. Essa prática é tão comum que, deixa pra lá. Ah! Uma outra coisa. Nossas roupas brancas foram jogadas fora. Como ficaram muito tempo cagadas, se estragaram pelo efeito da oxidação das fezes dos pombos. Bicho nojento.
Este é o motivo de eu estar emputecido com a prefeitura. Por esta foto não vai dar para ver, mas o prédio está praticamente abandonado.
Essas meninas fazem parte do coral da Casa de Repouso dos Pracinhas do Paraná, sede Vila Perneta, em Pinhais-PR, onde o lema delas é: "Coro bom é coro cantando, não importa aonde".
:: Oiram Bourges 16:28 [+] ::
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:: Sábado, Fevereiro 21, 2004 ::
Durante essa semana estava eu pensando o que fazer durante a chatice que é o tal do Carnaval. Mas fazer o quê? Ficar em casa com a família falando besteiras e assistindo aqueles desfiles intermináveis e estúpidos, viajar, ou ficar todos os dias deste evento trancado no meu quarto com meu antigo rádio de ondas curtas procurando músicas e coisas sem sentido? O quê fazer? Fiquei pensando nisso enquanto me dirigia ao bar do meu amigo Odil, aquele do Ao Distinto Cavalheiro. Chegando lá descobri que aconteceria o primeiro "Grito de Carnaval" do boteco logo na quinta-feira. Fiquei eufórico, certamente iria comparecer. E fui, quero dizer, e fomos. Eu, o Pereirinha, o Azambuja (com toda a sua esquisitice), meu genro (para garantir meu retorno ao lar) e mais o Adalberto. Este último conheci há poucos dias, sujeito bacana. Mas é um tremendo chato quando bebe. Descobri isso durante a festa, mas tudo bem, deixei ele num canto, conversando com uma feiosa que estava lá, tomando de tudo que sobrava no fundo dos copos dos outros clientes (coisa não muito elegante de se fazer). Há, quase me esqueci. Mesmo com toda a chuva que caiu teve a apresentação da banda marcial da Polícia Militar na frente do estabelecimento para animar o pessoal com suas marchinhas carnavalescas, além de fazer a trilha sonora para um pessoal que esticou um cabo de aço de um prédio a outro, disseram, não lembro quem, que era para mostrarem um número de equilibrismo. Deviam ser loucos, pois com toda a chuva e ainda por cima de noite resolveram topar o desafio de caminhar na corda bamba. Mais tarde me disseram, também não lembro quem, que conseguiram fazer o tal número sem ninguém cair. E daí, o quê que eu tenho com isso? Pensei. Parece-me até que cheguei a perguntar "o quê eu tenho com isso" para alguém, mas não me pergunte pra quem foi, porque não me lembro. Continuando. Lá pelas tantas tinha tanta gente que ninguém mais sabia quem era quem. Além de o local estar entupido com aproximadamente mil pessoas, todo mundo estava alegrete de tanto álcool acumulado em suas cacholas. As serpentinas e confetes completaram o charme do lugar, e estavam espalhados por todos os lados, incluindo também, nos vários tipos bolsos, nos diversos formatos de cabelos, nos diferentes tamanhos de ouvidos (incluindo os peludos), nos variados diâmetros de bocas, e nos olhos ardentes da moçada. Claro, não posso deixar de mencionar que nossos copos também ficaram entupidos de tanto enfeite de papel. Olha, apesar de ter uma enorme quantidade de bêbados por meio metro quadrado, a festa estava ótima. Isso não era minha opinião apenas. Quem estava elogiando a organização do esquema era um carnavalesco famoso do Rio, que por sua vez estava acompanhado por um outro de São Paulo. Mas infelizmente a hora de partir chegou. Desta vez quem foi carregado para casa foi meu genro. Ele deu um pouco de trabalho na hora de ir para o ponto de ônibus. Sabe, ele é um pouco mais pesado que eu. E mesmo se fosse do meu peso não conseguiria carregá-lo. Por quê? Ora, mal consigo comigo mesmo. Pois bem, partimos todos em direção a Rui Barbosa pegar nossas famigeradas conduções. Incluindo o chato do Adalberto. Para nossa sorte o coletivo estava parado no ponto como se estivesse esperando a gente. Acredito que não preciso dizer que dormimos a viagem toda. E por sorte, mais uma vez, o motorista que é conhecido meu avisou que estávamos perto de casa. Mais uma vez, eu e meu genro tivemos que dormir na sala. Só pelo simples motivo de estarmos fedendo cigarro e cerveja, que derramaram em nossas roupas logo no começo da festa. No outro dia acordei cedo, devia ser umas seis horas da tarde, e ainda com a sensação de que minha cabeça parecia um barco em alto mar em dia de maremoto, de tão estranha que estava. Mas tudo bem. E ainda no outro dia conversei com o proprietário do bar para perguntar como foi tudo depois que saímos. Ele me disse que ficou gente procurando pertences, parentes e copos perdidos até o amanhecer. No tradicional ritmo do "Tá todo mundo louco, oba!". E assim foi o primeiro de tantos outros carnavais do boteco. Ano que vem tem mais. Se o Pelintra permitir.
Quando passamos da conta na bebida começamos a ver coisas estranhas. Hum! Não sei, mas tive a impressão de ter exagerado um pouco no álcool.
Foi assim que encontrei meu genro, sentado na cozinha do bar enquanto olhava para um pequeno copo com um certo ar melancólico.
Esse foi o resultado final para a grande maioria do pessoal, pelo menos daqueles que acabaram dormindo no boteco.
:: Oiram Bourges 17:30 [+] ::
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:: Sábado, Fevereiro 14, 2004 ::
Existem certos dias em nossas vidas em que é melhor nem sair de casa. Às vezes nem acordar. Pois bem, aconteceu um desses comigo essa semana que passou. Tinha alguns compromissos no centro da cidade, coisas chatas para se fazer, como: pagar contas, despachar algumas cartas, e depois me incomodar com o tradicional "papo furado" com a tradicional roda de amigos... Talvez colegas... Conhecidos... É, conhecidos mesmo. Para executar os primeiros afazeres tive que pegar o ônibus mais cedo que de costume. Então me dirigi ao ponto esperar meu meio de locomoção. Peguei meus óculos de sol, pois a tarde estava muito clara. Sabe como é, verão. Por sorte não demorou muito, entrei e procurei um lugar agradável para ficar enquanto ele fazia a viagem. Não tinha lugares para sentar, quer dizer, tinha, mas não me apeteceram. Preferi ficar em pé mesmo. Porém, tinha uma dona com duas crianças que não paravam de pular nos acentos diante de mim. Resolveram até trocar de lugares (entre os dois meninos e a mãe), só para atormentarem. Correria daqui pra lá e de lá pra cá. Nisso resolvi me afastar um pouco antes que acabassem pisando nos meus pés. Pura infelicidade a minha. Neste exato momento o ônibus deu uma freada brusca para parar no ponto, e pegar mais pessoas. O grande problema estava bem aí. Enquanto eu me afastava do motim infantil, me afastava cada vez mais do meu lugar seguro. Logicamente fiquei vulnerável aos movimentos violentos do veículo. E não deu outra, nessa freada perdi o controle sobre meu corpo e obviamente e consecutivamente o equilíbrio (digamos que isso seja naturalmente fácil de acontecer). Nisso tentei me agarrar na primeira coisa que vi para não cair (os canos do ônibus), mas nesse meio tempo enquanto me movimentava ferozmente para alcançar os tais canos, enfiei um dedo (inexplicavelmente) por trás dos meus óculos, e num passe de mágica fiz desaparecer essa coisa da minha cara. Não, não os guardei no bolso ou coisa assim. Simplesmente, quem conseguiu prestar bem atenção pôde ver a cena no mínimo hilária. Meus óculos voando de maneira extraordinária através da janela do veículo, espatifando no asfalto logo em seguida, e depois sendo atropelado por um outro ônibus que vinha em direção contrária. Parecia cena de filme. Fantástico! Pensei. Bom, talvez eu tenha gritado essa palavra para todos ouvirem, ou ainda tenha gritado para a criança ou com a criança, ou com a mãe dela, sei lá. Só sei que fiquei louco da vida, xinguei todo mundo e desci no próximo ponto. E com a raiva que estava fui até o centro a pé. Mas foi só o trabalho de chegar lá e voltar, de tão cansado que estava. Voltei de táxi para casa, pois não conseguia pegar outro ônibus. Primeiro porque estava cansado, e segundo porque ainda estava com muita raiva da situação. Quem foi fazer meus afazeres em meu lugar foi meu neto, fiquei um tempo de "molho",sem poder caminhar ou qualquer outra coisa do gênero devido os meus pés inchados, além de ter destruído meus sapatos nessa tola caminhada. Mas vai ter troco, um dia eu pego e torço o pescoço da criança que fez eu perder meus óculos novos de sol.
:: Oiram Bourges 18:38 [+] ::
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:: Sábado, Fevereiro 07, 2004 ::
Durante a semana que se passou fomos a uma praia descansar (do quê eu ainda não fiquei sabendo) a convite de um primo da Olga. A princípio não quis ir, mas caso eu não fosse iria ficar sozinho em casa amargando com aquele macarrão estúpido de preparo instantâneo que vem em pacotinhos, então resolvi acompanhar o pessoal. Era uma praia pequena da ilha de São Francisco do Sul - SC, mas muito bonita. Chegamos lá na quarta-feira pela manhã, e o sol já estava sapecando tudo. Tenho que tomar cuidado com a minha pele, pensei assim que desci do carro. Por sorte tinha levado um protetor solar exclusivamente meu, consecutivamente, ninguém usaria isto, em hipótese alguma, nem para passar nas minhas costas (lugar de enorme dificuldade para se passar este maldito produto lambuzento). Bom, depois de largar toda a minha bugiganga dentro da casa resolvi dar uma voltinha a pé pelas ruas para conhecer melhor o lugar. Não me demorei muito para voltar em casa trocar de roupa, o momento era único e tinha que ser naquele instante. Coloquei meu calção de banho, me besuntei todo (incluindo chão e paredes) com o protetor solar, e aí me debandei para o mar, todo animado. Afinal de contas tinha muito tempo que não ia para uma praia tão bacana como esta. Logo no primeiro passo na areia fofinha queimei a sola do pé com um toco de cigarro aceso. Maldito! Pensei. Assim que pude ver o mar me recompus rapidinho, ignorei a dor do pé e me dirigi para a água. Após dar os primeiros passos dentro da água pisei num buraco, aliás, um gigante buraco, e na seqüência veio o tão famigerado tombo. Caí com a cara enfiada na areia, e quase perdi a noção de onde estava (o que não é difícil de acontecer). Consegui me levantar, com uma certa dificuldade confesso a vocês. E assim que fiquei em posição ereta uma grande onda me embolou todo. Quase perdi o tal calção tamanha força dessa onda, sem contar que fiquei me debatendo dentro de um outro buraco até um salva-vidas me socorrer. Fiquei um pouco envergonhado com a situação. Algumas pessoas estavam assustadas com o que viram, enquanto outras se contorciam de tanto rir. Depois disso resolvi voltar para casa, pensei que seria melhor voltar à praia no dia seguinte. E assim aconteceu. Na manhã seguinte estava todo animado para nadar, me lambuzei novamente com o protetor e parti rumo ao prazer. Para modificar a entrada triunfante na areia, desta vez eu tropecei num pequeno monte feito por uma criançada. Vieram reclamar. Disseram que eu tinha estragado o castelo feito por eles. Que besteira! Pensei. Fiz um pouco de alongamento no corpo, mas tive que parar imediatamente, pois as câimbras surgiram. E após uma hora aproximadamente de tantas dificuldades para vencer, consegui entrar na água. Ufa! Dez minutos tinham se passados quando me deu outra câimbra, quero dizer, várias câimbras na mesma hora e por tudo quanto era lugar. Comecei a me debater na água, de novo. Por sorte não estava muito longe dos salva-vidas, que vieram em pouco tempo me tirar daquele martírio. Um deles resolveu dar uma de engraçadinho pra cima de mim: "Ô tio, de novo?". Olha, na verdade não gostei da piadinha, mas como estava dependendo deles resolvi ficar pianinho para meu próprio bem. Depois que consegui ficar melhor fui para casa descansar, e claro, deixar a "poeira baixar". Acabei nem voltando mais neste dia, depois do almoço cai na cama e apaguei. Só levantei pra tomar café, e voltei pra cama. Estava com a idéia de fazer uma nova tentativa de nadar no dia seguinte. De manhã bem cedo fui para a praia decidido a nadar um pouco. Desta vez nem passei filtro no corpo. Penso que isso é que estava me atrapalhando de ter um bom desempenho na água. Parti então para realizar minha intenção. Correndo pela areia, desvairado como louco até tropeçar em um buraco e se espatifar no chão era o de menos, o pior de tudo que não cai pertinho desta vez. Por estar em alta velocidade sai "catando cavaco" pelo caminho, caindo lá no começo da água na maior cambalhota. Desgovernado e com a careca esfolada pude ver (com dificuldade) o estrago feito por mim nessa selvageria toda. O trajeto que fiz era fácil de identificar. Tinha espalhado ao longo de uns sete metros de tropeço meu boné, óculos, chinelos, toalha e um pedaço do relógio. Detalhe, a outra parte do relógio nunca mais vi. Continuando, com os sentidos recobrados (incluindo o a dor) parti em direção ao mar. Naquele dia as ondas estavam fortes, e vinham de tudo quanto era lado. Um inferno. Estava em um determinado momento me preparando para passar por uma grande onda à frente quando recebi um tapa na nuca de uma outra onda que voltava do raso. Isso fez com que eu fosse parar lá no fundão rolando de um lado e para outro. Sem muita demora escutei alguém apitando para mim no raso, devia ser um salva-vidas avisando que eu devia voltar - como se eu conseguisse - pra a areia. E lá vieram aos bandos na lancha me resgatar assim que fiz sinal de que não podia fazer nada. Assim que chegamos no rasinho eu quis dizer algo para o pessoal que fez meu resgate, agradecer talvez, mas não consegui devido a quantidade de água que se fazia jorrar de dentro de mim neste instante. Após ter recuperado o fôlego permaneci sentado no chão e comecei a ouvir o sermão do bando que me tirou de lá. Sinceramente preferia ter ficado por lá mesmo, assim não ficaria ouvindo essa gritaria toda. Se bem que nem conseguia ouvir direito mesmo, estava entupido, levemente, devido a enorme quantidade de água que entrou. Depois disso fui embora para casa descansar, e passar cremes para aliviar a vermelhidão e a ardência na pele, e claro, pomadas para as escoriações do corpo. Dia seguinte acordei mais cedo ainda para tentar concluir meu intento, não, não era me afogar, e sim conseguir nadar. Cheguei na areia, mas todos os salva-vidas da praia fizeram um cordão de isolamento impedindo única e exclusivamente a minha passagem. Não teve acordo, não me deixaram entrar na água nem após ter feito o convite para tomar uma cervejinha no final do expediente comigo. Logicamente que, quem iria pagar a cerveja deles eram eles mesmos. Tive que voltar para casa se tomar banho de mar. Pensei que no dia seguinte tomaria banho de qualquer jeito. Acordaria mais cedo ainda. De madrugada se fosse preciso. Assim sendo, quando acordei ainda estava de noite, devia ser umas cinco horas da manhã, ou talvez antes. Levantei-me da cama, coloquei meu calção e me dirigi à praia. Chegando lá me deparei com um policial fazendo ronda na calçada, e assim que me avistou fez um sinal para que eu fosse até ele. Fui. A proposta feita para mim não tinha sentido (naquele momento), mas resolvi aceitar. Caso ficasse dentro de casa, ou não entrasse na água receberia duzentos reais para cada dia que fosse permanecer na cidade. Tudo bem, fiquei sem banho de mar o resto dos dias em que fiquei hospedado, mas pude comprar umas cervejinhas e umas comidas diferentes, e ainda pagar o combustível para retornar à Curitiba. Apesar de não ter aproveitado como queria saí no lucro. Está bem, já estive pensando em voltar na mesma praia no ano que vem. Assim posso ganhar um dinheirinho extra.
:: Oiram Bourges 22:14 [+] ::
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